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Redenção passageira de Dunga

A seleção brasileira desencantou e surpreendeu a torcida e a imprensa ao vencer o amistoso contra a Itália. A desconfiança gerada pelos resultados pífios nas eliminatórias para a Copa do Mundo de 2010, principalmente nos jogos em casa, foi levemente reduzida após as duas últimas convincentes vitórias: a goleada de 6 a 2 sobre Portugal e os 2 a 0 em cima da seleção italiana. Mesmo depois do expressivo triunfo obtido contra os lusos, Dunga ainda ficou sob a mira da mídia. A vice-liderança nas eliminatórias continuou a ser questionada. Sem espetáculo, estávamos em segundo lugar. A pressão aumentou recentemente, com o escândalo envolvendo supostamente Robinho. A imprensa internacional tratou de montar o tribunal, fazendo as vezes de promotor. A demissão de Luís Felipe Scolari do Chelsea também foi utilizada pela mídia para provocar Dunga, com destaque para a capa de Diário de S.Paulo - das Organizações Globo - de hoje, a qual continha a frase "te cuida, Dunga" ao noticiar a queda de "Big Phil" do clube inglês. Ignorando as provocações (até políticas, com o desentendimento entre os dois países relativo a Cesare Battisti), Dunga, Robinho e a seleção partiram para cima da Itália. Apesar dos deslizes e acertos cometidos pela arbitragem para os dois lados, a partida foi surpreendente para o público e para a imprensa brasileira, que temia goleada (ou desejava por ela, para obter mais justificativas com o intuito de substituir o questionável treinador tupiniquim) contra o Brasil. Robinho saiu ovacionado; Marcelo, Maicon e Felipe Melo também merecem citação na qualidade do futebol apresentado no amistoso. Além de ter conseguido sua redenção e a de Robinho, Dunga mostrou que o time brasileiro não é totalmente dependente de Kaká, fato levantado pela crítica após comparar os triunfos obtidos com o jogador em campo e os maus resultados sem a presença dele. As eliminatórias retornam em março. Equador será o próximo desafio da seleção de Dunga, que tentará manter a sucessão de triunfos e, enfim, convencer a torcida e a mídia, ainda acostumada com nomes como Cafu, Roberto Carlos, Ronaldo... É interessante lembrar a pressão a qual Felipão foi submetido quando das eliminatórias para a Copa do Mundo de 2002. Mesmo sem Romário - pedido incessante dos torcedores - o Brasil conseguiu a vaga para a competição - no sufoco - e sagrou-se pentacampeão. A partir daí, Scolari iniciou sua carreira internacional. Que o mesmo aconteça a Dunga, para o bem dele e para o mal da pérfida e inescrupulosa imprensa.
Escrito por Paulo Pacheco às 21h45
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