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Letras Escapadas


Troca de família

A briga entre SBT e Record pela audiência ultrapassou a telinha. Nos bastidores, cifras não foram poupadas para a contratação de Gugu pela Record – ainda não foi confirmada, mas já é dada como certa – e de Eliana e Roberto Justus, pelo SBT, além de outras propostas, como a do SBT, recusada por Celso Freitas, que continuará na bancada do Jornal da Record até 2014.

 

O SBT fez bonito e garantiu para si dois apresentadores de prestígio e retorno financeiro. O programa de Justus na Record, além de ter boa audiência, tinha ótimo faturamento. Eliana ganhou renome por conseguir sair do estigma de trabalhar para crianças, tal qual Angélica na Globo. O Tudo é Possível assegurava, em vários domingos, a vice-liderança no Ibope, vencendo até mesmo Silvio Santos.

 

A grande tacada ficou por conta da Record, ao tirar da concorrente sua maior audiência: Gugu Liberato. O apresentador foi o único a dar dois dígitos no Ibope nesta semana. Sem a ameaça do Domingo Legal, a Record se estabilizaria na vice-liderança aos domingos e na média do mês.

 

Apesar da contratação, Gugu é a cara do SBT, onde começou e consolidou sua carreira. Para retirar essas três letras da testa, o apresentador precisará de tempo, algo que não é permitido na guerra pela audiência. O que aconteceu com Eliana: firmou sua trajetória no canal do dono do Baú e a desenvolveu no canal de Edir Macedo. Eliana pode voltar tranquilamente ao SBT, já que ainda é lembrada por seus programas infantis Festolândia e Bom Dia & Cia.

 

Com as novas aquisições, o SBT pretende reformular sua grade noturna, ainda frágil com o fim de Pantanal. Revelação e Vende-se um Véu de Noiva não fisgaram o público da trama da Manchete, que não voltou para assistir a Dona Beija. Sem o índice esperado, Daniela Beyruti, filha de Silvio Santos e atual diretora artística da emissora, anunciou, em seu perfil no Twitter, o encerramento da novela em 2 de julho. No lugar, uma segunda linha de shows, incrementada pela volta do Show do Milhão, no dia 8 do mesmo mês, e do programa de Justus – não será O Aprendiz. O risco fica para Hebe Camargo, que já demonstrara insatisfação quando Hebe começava tarde demais. Já Carlos Alberto de Nóbrega poderá escrever textos mais “quentes” para o A Praça é Nossa.

 

Para quem imaginava que a disputa pelo segundo lugar na audiência havia terminado, está enganado. Ela só está começando e continuará quando os programas de Gugu, na Record, e de Eliana e Justus, no SBT, estrearem.



Escrito por Paulo Pacheco às 12h59
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Pato Fu se apresenta gratuitamente em São Paulo

Grupo intercalou músicas do novo álbum com hits consagrados

 

 

No último domingo, dia 21, a banda mineira Pato Fu tocou gratuitamente no projeto Boulevard Music, do Shopping Metrô Boulevard Tatuapé e da rádio Nova Brasil FM, que acontece todo mês. O local do show foi a Praça de Eventos do shopping.

 

A apresentação seria ao meio-dia e meia. No entanto, houve um atraso de 20 minutos, aumentando a ansiedade da platéia, que se aglomerou nos três andares do shopping para assistir ao show. Uma promoção da rádio Nova Brasil FM permitiu aos ganhadores uma visão privilegiada, de frente para o conjunto.

 

“Mamã Papá”, do álbum mais recente, Daqui Pro Futuro (2007) abriu a apresentação. Em seguida, músicas novas se intercalaram às já conhecidas do grande público, como “Perdendo dentes”, “Eu”, “Ando meio desligado”, “Antes que seja tarde” e "Canção pra você viver mais".

 

 

 

Alguns fãs mais saudosistas queixaram-se da falta de canções dos primeiros álbuns do grupo, como “Pinga”, de Tem Mas Acabou (1996), e “Qualquer bobagem”, de Gol de Quem? (1994). Quando foi mencionada “Pinga”, a vocalista Fernanda Takai comentou sobre isso de maneira bem-humorada: “Nós só vamos tocar quando Los Hermanos tocar Anna Júlia”.

 

A banda ensaiou uma despedida do show, mas logo voltaram, após os gritos da platéia. No entanto, isso já estava no roteiro. Depois de mais três músicas, Pato Fu encerrou, definitivamente, a apresentação, por volta das 14 horas.

 

Minutos depois, Fernanda Takai e o guitarrista John Ulhoa voltaram ao palco, desta vez para dar autógrafos e tirar fotos com quem havia permanecido na Praça de Eventos após o final do show. Fernanda demonstrou surpresa ao “reencontrar” alguns fãs, quando estes lhe mostraram fotos antigas dos dois juntos. Uma criança declarou sua admiração, entregando ao casal um desenho: um coração com o nome “Pato Fu”.

 

 

 

Além de CDs, fãs levaram DVDs e até mesmo o livro “Nunca subestime uma mulherzinha” (2007), uma coletânea de crônicas e contos escritos por Fernanda para os jornais Correio Braziliense e O Estado de Minas.

 

O projeto Boulevard Music, sempre gratuito e que já trouxe ao palco nomes como Luiza e sua mãe Zizi Possi, Frejat e a própria Fernanda Takai, receberá, no mês de julho, o cantor Toquinho.



Escrito por Paulo Pacheco às 08h49
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Questão do diploma gera manifestação

Estudantes e profissionais de jornalismo queimam jornais em protesto a Gilmar Mendes

Por Bruno Podolski, Juliana Koch e Paulo Pacheco, do 1º ano de Jornalismo.

Fotos: Juliana Koch, do 1º ano de Jornalismo

 Nesta segunda-feira, dia 22, em São Paulo, estudantes de jornalismo de faculdades como Mackenzie, PUC de Campinas (PUCCamp), Metodista, Anhembi Morumbi, Cásper Líbero e UFRJ manifestaram contra a decisão do STF (Supremo Tribunal Federal) de suspender a obrigatoriedade do diploma para o exercício da profissão.

 

 

O protesto começou por volta das 10 horas em frente à estação Consolação do Metrô. Vestindo roupas pretas e narizes de palhaço, os estudantes traziam utensílios de cozinha e gritavam “somos jornalistas, não somos cozinheiros”, “informação não é comida” e “diploma não é lixo”, em resposta à declaração do ministro Gilmar Mendes, que, na última quarta-feira, comparou a profissão de jornalista a de cozinheiro: "Um excelente chefe de cozinha poderá ser formado numa faculdade de culinária, o que não legitima estarmos a exigir que toda e qualquer refeição seja feita por profissional registrado mediante diploma de curso superior nessa área".

 

 

Em seguida, dirigiram-se ao Hotel ver foto Renaissance, na Alameda Santos, onde Mendes participaria do almoço-debate "A Justiça, o homem e a lei", com o Grupo de Líderes Empresariais (Lide). A estimativa da Polícia Militar era de 80 pessoas. Pouco depois, representantes da PUCCamp se juntaram ao grupo, que seguiu rumo à Fundação Cásper Líbero, onde agregaram mais participantes.

 

 

“Vão acontecer duas coisas: as universidades pequenas, as chamadas universidades ‘de esquina’, que não investem no jornalismo, vão fechar, pois não vão conseguir se sustentar; e os estudantes de jornalismo vão se dedicar ainda mais, porque a concorrência será maior. Mas eu ainda acho que o jornalismo precisa ser regulamentado, precisa do diploma”, afirmou Murilo Nascimento, 20 anos, coordenador-geral do diretório acadêmico da PUCCamp. Para ele, a decisão do STF foi política e a justificativa de que o diploma iria de encontro à liberdade de expressão não procede, pois há o jornalismo opinativo e o informativo.

 

O movimento, segundo o presidente do Sindicato de Jornalistas de São Paulo, “surgiu espontaneamente nas universidades”. José Augusto Camargo declarou ainda que “os cursos precisam resistir, porque a luta pela qualificação de jornalista tem quase 100 anos no Brasil e a resistência das universidades é fruto dessa luta. A Cásper Líbero, primeira faculdade [de Jornalismo] do Brasil, foi criada muito antes da necessidade do diploma”.

 

 

O protesto terminou por volta das 13 horas, em frente ao Hotel Renaissance, onde os manifestantes atearam fogo em jornais, convidando o ministro a “almoçar” as notícias com eles. Mesmo sem conseguir um encontro com o ministro, Nascimento considerou como dever cumprido a passeata: “Que esse seja o ponto inicial de um futuro que traga o diploma [obrigatório] de novo”.

 

Simultaneamente, outras cidades aderiram à manifestação, como Brasília (DF), Rio de Janeiro (RJ), Teresina (PI) e Caxias do Sul (RS). Na quarta-feira (24 de maio), às 13 horas, está marcado mais um protesto, desta em Porto Alegre.



Escrito por Paulo Pacheco às 18h29
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Heloiza Matos lança publicação sobre capital social

Segundo a professora da Cásper Líbero, obra enriquecerá discussão de um tema pouco explorado no Brasil

 

A Livraria Cultura recebeu, na noite desta quinta-feira (dia 18), o lançamento do livro “Capital social e comunicação”, da professora da Pós-Graduação da Cásper Líbero Heloiza Matos.

 

Em uma calorosa sessão de autógrafos, Matos atendeu, com sorrisos e abraços, quem esperava por sua assinatura. Cada autógrafo rendia um bate-papo com amigos, alunos e ex-alunos que compareceram ao evento. Entre uma conversa e outra, ainda conseguiu tempo para falar com o Site de Cultura Geral.

 

 

A professora comentou a recepção, relacionando-a com a proposta da obra: “Recebi ex-alunos da USP. Estou muito satisfeita [com a recepção], porque eu acho que, quando você apresenta uma obra, é a soma de todas essas interações que você tem pela vida, interações sociais, interações acadêmicas, e é isso que tento mostrar no meu livro, a importância dessas interações comunicativas. Essa é minha proposta”.

 

Matos enfatizou a diferença entre capital social e responsabilidade social: “As organizações falam muito em responsabilidade social, mas ela é assumida pela instituição, enquanto que o capital social é compartilhado, essa é a diferença. A organização a assume junto com os seus públicos que estão interagindo.”

 

 

Dimas Künsch, coordenador do Programa de Pós-Graduação da Cásper Líbero, também prestigiou o lançamento do livro e ressaltou a importância da discussão sobre capital social proposta por sua colega: “O tema do capital social é novo, aliás, no Brasil. É um tema absolutamente pertinente, atual e que vai gerar discussões. Além disso, [a publicação] é um presente para o programa de mestrado da Cásper Líbero”.

 

A professora também destacou a relevância e o ineditismo do debate sobre capital social em publicações: “Essa proposta é muito nova e pouquíssimo conhecida no Brasil. Você fala de capital financeiro, capital físico, capital humano, mas o capital social é um campo muito novo no Brasil e muito enriquecedor para a área de comunicação”.



Escrito por Paulo Pacheco às 11h46
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Unzelte: “Jornalista deve ter, sobretudo, ‘fogo no rabo’”

Em coletiva, Celso Unzelte fala de sua vida, o jornalismo e sua paixão pelo Corinthians

 

Quem conhece o sorriso de Celso Unzelte não acreditaria que, na infância, era introspectivo. Quem o conhece como jornalista esportivo desconfiaria se soubessem que ele era preterido das conversas sobre futebol entre seu irmão e o primo, por não saber diferenciar “cobrança de lateral” de “cobrança de escanteio”. Estas foram algumas das declarações do professor, em entrevista a seus alunos de Jornalismo da Faculdade Cásper Líbero.

 

Unzelte começou a coletiva falando sobre suas pretensões quando criança: “Era megalomaníaco, tinha absoluta certeza de que seria o Walt Disney brasileiro”, declarou, ao comentar sua paixão por histórias em quadrinhos, o que o levou ao conhecimento de futebol e ao gosto por jornalismo.

 

O interesse pelo jornalismo veio após um trabalho sobre “jornalista esportivo” no Ensino Médio. Aos 17 anos, passou no vestibular da FIAM (Faculdades In-tegradas Alcântara Machado). Sobre a faculdade, Unzelte não guarda boas recordações: “Era uma boa faculdade, eu não tenho queixa, mas minha vivência acadêmica foi pobre, não marcou tanto”. Para Unzelte, o curso valeu pela professora Ana Teresa, que o indicou para ser revisor de textos na Editora Abril.

 

Celso afirmou ter sido convidado pela revista Ação para trabalhar mais ganhando menos

do que na Abril. Apesar disso, tratou a proposta como um investimento – ser repórter ao invés de redator – e a aceitou: “Eu tinha esse objetivo, jamais me arrependi de nenhuma troca que fiz”. Outra troca, desta vez definitiva, aconteceu em 2000, quando saiu descontente da Editora Abril para trabalhar em um site, em plena época de “bolha da internet”. Mesmo com o fim da página, o jornalista, que passou a atuar como freelance, diz não ter se arrependido.

 

No Notícias Populares, atuou por uma semana e considerou “tranquilo”, por ter podido escrever com mais irreverência. Uma notícia lhe ficou na memória: um idoso, no Acre, havia falecido transando. “Eles desenharam uma mulher jogada de cabelo para trás, um velhinho magrinho em cima da moça, com a mão no peito, no momento do ataque cardíaco”, relembra Unzelte.

 

Os trabalhos jornalísticos de Celso Unzelte se caracterizam pela versatilidade: do futebol da revista Placar aos carros da Quatro Rodas, chegou a atuar em uma revista sobre linfoma e leucemia, a Revista da Abrale, da Associação Brasileira de Linfoma e Leucemia. “Eu não tenho dúvida de que foi a coisa mais difícil que eu já fiz na vida”, confessa.

 

Sobre o ingresso à TV, Celso afirmou que ainda prioriza o escrito e que entrou para a televisão graças ao grande amigo Paulo Vinícius Coelho (PVC). O jornalista sentiu as diferenças entre a televisão e a mídia impressa: “Na televisão, [a informação] tem que ser [transmitida] mais rápido e acho que a informação fica prejudicada com isso”.

 

Apesar de ser corintiano (“Sou corintiano antes de tudo: antes de ser jornalista, antes de ser homem”), Celso Unzelte escreveu o Almanaque do Palmeiras e explicou o porquê: “Só tem uma coisa que eu gosto mais ou igual do que o Corinthians, que é a História. Gosto de me transportar para aqueles tempos”. No entanto, o amor pelo Corinthians não escapou da publicação alviverde: “A única observação que fiz foi que os nomes dos autores estavam escritos de verde. Eu estava no dia do fechamento e falei para o pessoal da arte: ‘podem pintar de preto’”.

 

Celso afirma já ter sofrido preconceito, por trabalhar com esporte, do meio acadêmico, e dá o recado a quem sonha em ser jornalista esportivo: “Preparem-se para isso: se quiserem fazer esporte, façam bem feito, porque, mesmo assim, vão achar que vocês tratam de uma coisinha menor e divertidinha”.

 

Celso não poupou críticas à realização da Copa do Mundo no Brasil, em 2014: “A Copa do Mundo não é uma prioridade, todo mundo sabe disso. Sabe qual será a minha esperança de único legado da Copa? O Metrô. Vão construir estádio no Mato Grosso e, depois da Copa, quem vai jogar lá, o Misto e o Dom Bosco?”, desabafa.

 

Por um instante, Unzelte polemizou a escolha do melhor jogador da história, mas logo se justificou: “O melhor jogador que vi jogar foi Maradona. Dos brasileiros, Zico. Mas não dá para negar as evidências: peguem o [filme] Pelé Eterno e vejam o que ele fez. Quem faz isso hoje? Ninguém. Ele sim é um fenômeno (risos, em referência a Ronaldo, atual atacante de seu time do coração, o Corinthians)”.

 

O jornalista recomenda a profissão a seus filhos, mas não os obriga a trabalhar na área: “Carolina (11 anos) escreve muito bem, tem um inglês ótimo, mas estava com umas ideias de ser dentista. Acho importante que eles, antes de tudo, sejam felizes. Se não for a da menina, não vai ser”. Segundo Unzelte, os filhos tratam com bom humor a distância dos pais (a esposa Patrícia também é jornalista): “A Carolina fazia uma revista de moda quando criança. O Daniel (5 anos) brinca com a Beatriz (6 anos), pega um telefone velho, ela pergunta: ‘Alô, alô, quem está falando?’, e o Daniel responde: ‘Sou o Daniel, trabalho com futebol’”.

 

Unzelte, que, atualmente, trabalha no Diário do Comércio, comentou sobre o jornalismo atual: “O jornal [impresso] tem que se reinventar, mas não acredito no fim dos jornais”. Também criticou quem entra na área somente para comentar: “Opinião eu também tenho. Jornalismo tem que estar atrelado à informação”. Para Celso Unzelte, o profissional deve ter inquietude, prazer e, antes de tudo, “fogo no rabo” – após a declaração, Celso brincou dizendo que o título da matéria de seus alunos teria essa expressão.

 

Celso trata o tema da obrigatoriedade do diploma para Jornalismo como um “falso dilema”: “O que vamos colocar no lugar do diploma? Porque alguma coisa precisa ser colocada no lugar. Não dá para todo mundo se considerar jornalista só porque tem blog”. Para substituir o curso atual de Jornalismo, Unzelte sugere um curso de dois anos para complementar outro curso da área de Humanas, ou um cuja alguma matéria possa ser excluída.

 

Unzelte conta que foi convidado pelo professor Carlos Costa – diretor da Quatro Rodas­ quando Celso era repórter – para lecionar na Cásper Líbero, após a greve de 2003, em que vários funcionários foram demitidos. Foi sua estreia como professor, posto do qual “gosta mais do que pensava”.

 

Atualmente, Celso, além de professor e jornalista freelance, trabalha como consultor histórico para diversas publicações esportivas, como uma obra do cartunista Ziraldo e o livro comemorativo do centenário do Corinthians. Neste, Unzelte tenta contatar parentes de atletas dos anos 10 e depoimento do presidente – declaradamente corintiano – Lula.



Escrito por Paulo Pacheco às 15h41
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A chuva no Nordeste e as asas negras da imprensa

Em 1o de dezembro de 2008, o Letras Escapadas publicou um texto sobre as chuvas em Santa Catarina. Na ocasião, os brasileiros fizeram doações em massa para desabrigados e desalojados. Segundo a Folha de S.Paulo, 111 pessoas morreram. O jornal, aliás, realizou, assim como a grande imprensa, uma ampla cobertura da tragédia.

Em 2009, a tormenta voltou a atacar o Brasil. Desta vez, a região afetada foi, curiosamente, a mais seca: o Nordeste. A Folha, no entanto, parece ignorar o fato, reservando suas capas para a gripe supina, queda do dólar (como na capa acima, da Folha de 6 de maio de 2009) e até concordatas nos EUA. Para as enchentes no Sul, a versão online do jornal organizou um especial com todas as informações.

O mais impressionante é que, em vez de ser a manchete principal, a tragédia no Norte e Nordeste se restringe a fotos de pessoas lamentando a perda do pouco que possuem, da desolação nos olhos sofridos e nas mãos calejadas, das feições de espanto pela água - antes, escassa; agora, abundante e destruidora de plantações. Este é apenas um exemplo de como o acontecimento foi retratado pela imprensa, do mais baixo respeito, típico de programas televisivos sensacionalistas.

Em 9 de maio de 2009, no editorial "Lentidão e improviso", a Folha classificou como "amadora" e "improvisada" o tratamento das autoridades para com o caso. Amadora é a atitude da mídia, aparentemente sensibilizada, mas com suas asas negras de abutre atrás da carniça.



Escrito por Paulo Pacheco às 13h20
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Dez na área X Secretaria de Educação X mídia: de quem é o equívoco?

Cartunistas falam da polêmica envolvendo livro de histórias em quadrinhos indicado a crianças de nove anos

 

Por Juliana Koch e Paulo Pacheco, do 1º ano de Jornalismo

 

Em 19 de maio de 2009, a Folha de S.Paulo noticiou que o Governo de São Paulo havia distribuído nas escolas Dez na área, um na banheira e ninguém no gol, um álbum de histórias em quadrinhos (HQs), lançado em 2002, sobre o universo do futebol, contendo palavrões e cenas de nudez. O caso repercutiu com intensidade na TV, em sites, blogs e outros jornais.

 

O organizador da publicação, Orlando Pedroso, vê com bons olhos a compra de livros para o ensino público. No entanto, acredita que houve “dois enganos cruciais”: o primeiro, em relação à escolha da obra, e o outro referente à falta de análise. “No caso do Dez na área, um álbum concebido para adultos, fica evidente o escorregão”, afirma.

 

Gilberto Maringoni, um dos cartunistas colaboradores, se surpreendeu com a repercussão do caso na mídia, em especial na Folha de S.Paulo, que tratou o livro como uma “cartilha”: “[O álbum] não é didático e foi comprado equivocadamente. O livro é para o público jovem e adulto”.

 

Allan Sieber, outro colaborador, também denuncia o tratamento dado pela mídia: “Mais lamentável que a escolha do livro para crianças foi a atitude de José Serra, que, sem ler o livro, o tachou de imoral para baixo na TV. Com o respaldo da repórter ‘pateta’ que o entrevistou”.

 

Mesma opinião de Maringoni, que qualifica como “hipócrita” a atitude da Rede Globo: “A Globo tem um dos programas de mais baixo nível da televisão, o Big Brother Brasil, cuja grande atração são as cenas de sexo entre os participantes”. Pedroso concorda, dizendo que as crianças de hoje têm acesso à informação, mas também à pornografia e à literatura barata: “Carnaval, programas de auditório e reality-shows invadem as casas com imagens, digamos, não muito educativas”.

 

Sobre o preconceito contra HQs para adultos, Sieber considera o episódio “emblemático” quanto à questão. Em contrapartida, José Alberto Lovetro, da Associação dos Cartunistas do Brasil (ACB), constata que, quando se fala em quadrinhos, “todos pensam em algo para criança”, mas rebate: “Sempre houve mercado para HQs voltadas aos adultos. Nos anos 50, os quadrinhos de terror venderam muito no Brasil. Depois os underground, nos anos 70, revolucionaram a cabeça de milhares de pessoas. O Pasquim e a dita ‘imprensa nanica’, que enfrentaram a ditadura militar, foram ícones desse novo viés dos quadrinhos e do humor gráfico”.

 

De acordo com o sociólogo Liráucio Girardi Jr., “pode-se tratar de qualquer tema com a criança, mas depende da linguagem utilizada. Se o quadrinho for destinado a adultos, não há sentido ser selecionado a crianças”. Girardi ressalta que “é um equívoco se fazer um grande investimento em livros didáticos e depois recolhê-los”, e questiona: “Quem vai responder por isso?”.

 

Em nota, a Secretaria de Educação declarou que a escolha do material para crianças da 3ª série – nove anos de idade – “foi um erro”. A aquisição dos livros fazia do programa Ler e Escrever.



Escrito por Paulo Pacheco às 11h58
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Rede Record: brega com classe

A Record estreia daqui a pouco o reality-show A Fazenda. Quatorze artistas estarão confinados no programa comandado por Britto Jr. Esta é uma tendência já existente no passado e que agora volta com força total: o gênero popularesco.

A Fazenda chega num momento em que as emissoras estão apostando nos programas populares. O SBT ressucitou o Programa do Ratinho, trouxe a escandalosa Christina Rocha para apimentar o Casos de Família e entregou as tardes de sábado para Netinho de Paula, apresentador do Show da Gente. Gugu Liberato apela ao social para obter valiosos pontos na disputa com o Fantástico. A Record, perdida em suas tardes, procura o povo, mas sem perder a classe.

Desrespeitando o público, a Record testa programas à tarde, em vão. Chris Rock (criador da série Everybody Hates Chris), Maria Cândida, Geraldo Luís e, mais recentemente, Wagner Montes não conseguiram alavancar a audiência, mesmo buscando o popular. A emissora dá agora sua cartada final: um programa de auditório a Geraldo Luís, o mais bem-sucedido (ou menos mal-sucedido) no horário. E lança Britto Jr aos braços do povo.

A emissora da Barra Funda não gosta da comparação, mas salta aos olhos as semelhanças de A Fazenda com a Casa dos Artistas, cuja primeira - e mais famosa - edição fora veiculada em 2001. O programa confinou doze artistas em uma mansão vizinha à de Silvio Santos, no bairro do Morumbi, em São Paulo, e foi um sucesso absoluto. A final rendeu ao SBT picos de 48 pontos, após semanas vencendo o Fantástico, da Globo. Na época, a emissora carioca vetou a exibição do reality-show, fazendo sua fama crescer ainda mais. A Casa ainda revelou para o Brasil Supla, filho punk da então prefeita de São Paulo Marta Suplicy, e Bárbara Paz, atriz teatral que protagonizou duas novelas no SBT - Marisol e Maria Esperança - e, atualmente, participou da série global Força Tarefa.

As semelhanças não param por aí. Alexandre Frota, hoje contratado da Record, foi o "antagonista" e um dos fatores do sucesso da atração do SBT. Quando foi eliminado, voltou à Casa sob as ordens do dono do Baú. Frota pode entrar a qualquer momento em A Fazenda, caso o programa não dê a audiência esperada.

O fato é que as emissoras estão se descabelando para evitar o pior. No Twitter, SBT e o Pânico anunciam incessantemente suas respectivas atrações para o domingo, exibidas por volta das 20h30, horário do reality-show do canal de Edir Macedo. Pode ser, contudo, que o programa não conquiste a mesma audiência da Casa dos Artistas. Na ocasião, o programa entrou no ar subitamente, e foi conquistando o público a cada domingo. Já a Record não se cansou de veicular comerciais com vídeos fictícios dos supostos integrantes de A Fazenda.

Esta noite, uma guerra acontecerá na TV. Quatro emissoras que alcançam dois dígitos de audiência (Globo, SBT, Record e Rede TV!) lutarão ponto a ponto pela audiência. O público, afim de diversidade, agradece.



Escrito por Paulo Pacheco às 19h26
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O trabalho do olhar

Por Viviane Laubé , 2º ano de Jornalismo, e Paulo Pacheco, 1º ano de Jornalismo

Diamantes, caviar, manteiga de amendoim e brinquedos. Esses são alguns dos materiais utilizados nas obras da exposição “Vik”, no MASP desde o fim de abril. A mostra já atraiu mais de 56 mil pessoas e conta com cerca de 120 trabalhos que vão desde o início de sua carreira nos anos 80, até obras atuais.

Nascido em 1961, o paulistano Vik Muniz formou-se em publicidade pela FAAP após ter tentado duas vezes cursar psicologia. Aos 22 anos, mudou-se para os Estados Unidos, onde pretendia fazer teatro, plano que, segundo ele, não deu certo, pois “as propostas brasileira e americana de performance eram completamente distintas”. O artista teve várias profissões, de garçom a assistente em pista de patinação. Cada uma delas contribuiu para a descoberta de sua veia artística.



Logo na entrada da exposição, os visitantes se deparam com um auto-retrato de Vik, e que dá o tom de sua proposta: interagir com o espectador. Ao invés de fazê-lo observar passivamente, desvenda com o artista os pormenores de suas obras. Em "Açúcar", por exemplo, utiliza o material em diversos matizes para retratar crianças que trabalham em canaviais.

Mais adiante, o espectador se depara com linhas de costura, formando paisagens com definição de proximidade. Além disso, brinca com nuvens, tanto reais como por meio de algodões. Num primeiro momento, não há como se certificar de que a nuvem é real ou artificial, criando assim a necessidade de observar com mais precisão e análise a fotografia.

No decorrer da exposição, pessoas são retratadas através de diversos materiais. Crianças de rua de São Paulo recebem contornos de restos de um carnaval festejado, enquanto outras são compostas por brinquedos de plástico. As divas do cinema Elizabeth Taylor e Marlene Dietrich também são lembradas, com traços de diamante compondo seus perfis. Monalisa, a principal musa da arte, é constituída de ingredientes deliciosos: geleia e manteiga de amendoim.



Uma obra marcante da exposição é a coletânea de desenhos, como clip, avião de papel, chupeta e dente, feitos em uma mina de ferro. Os visitantes se impressionam quando se deparam com o tamanho do local fotografado. Vik precisou de um helicóptero e uma equipe para auxiliá-lo na realização das imagens.

Segundo o artista, o desenho educa as ideias. Os materiais apresentados são comuns do cotidiano. Muniz acredita que "se ele conseguiu fazer obras de arte, qualquer um consegue". A observação minuciosa dos visitantes comprova a tese de Vik. Para ele, "desenhar é trabalhar o olhar".



Escrito por Paulo Pacheco às 16h54
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Vanessa da Mata e Ayumi Hamasaki: coincidência?

Vanessa da Mata é uma cantora já consagrada no cenário musical brasileiro. Em 2008 emplacou "Boa sorte/Good luck", em parceria com o músico estadunidense Ben Harper. O sucesso seguinte embalou a novela A Favorita, da Rede Globo. A música era "Amado" e até hoje pode ser demasiadamente ouvida nas rádios.

Um fato que até agora não havia sido notado era o de que "Amado" tem semelhanças com outra música. Trata-se de "Hanabi", single de Ayumi Hamasaki, cantora japonesa bastante cultuada entre os "otakus", os amantes de desenhos animados japoneses - os animes.

O começo da música "Amado" se parece muito com o começo da música "Hanabi". Confiram e vejam se é apenas coincidência:

Vanessa da Mata - "Amado"

Ayumi Hamasaki - "Hanabi"



Escrito por Paulo Pacheco às 13h04
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Ronaldo é sabatinado pela Folha

Nesta sexta-feira, a Folha de S.Paulo promoveu uma sabatina com o jogador Ronaldo. No palco, os jornalistas Clóvis Rossi, Xico Sá, Juca Kfouri e Mônica Bergamo fizeram uma série de perguntas sobre os acontecimentos mais relevantes da carreira do Fenômeno, para bem ou para mal.

Clóvis Rossi, apesar de palmeirense, assumiu a mediação da entrevista, já que estava desinformado acerca da trajetória futebolística de Ronaldo. Contudo, protagonizou um embate divertido com o corintiano Kfouri. O comentarista da Folha e do ESPN Brasil declarou que "palmeirense é aquele que não tem dinheiro para ser são-paulino nem coragem para ser corintiano". A plateia, formada, principalmente, por torcedores roxos do time alvinegro, ficou ensandecida.

Bergamo, também desatualizada sobre o assunto futebol, disparou perguntas sobre a vida íntima de Ronaldo. Perguntou sobre a fortuna do craque, mulheres com quem ele havia se relacionado e o famigerado escândalo envolvendo travestis. A plateia, mais interessada em futebol, repudiou a jornalista e ovacionou Ronaldo após a resposta do jogador de que eram assuntos íntimos, sigilosos.

Sá deixou as questões futebolísticas para Kfouri e aproveitou para questionar sobre assuntos simples, triviais, mas que não invadiram a intimidade do craque como fez Bergamo. Uma das perguntas tratava sobre se Ronaldo já chorara na vida. O Fênomeno respondeu positivamente e Bergamo complementou a questão perguntando a última vez em que havia chorado. Segundo o jogador, foi no Dia das Mães.

Ronaldo falou sobre a família e causou polêmca ao declarar que preferia que seu filho Ronald morasse na Europa em vez de no Brasil, em virtude da má educação das crianças brasileiras. Outros assuntos polêmicos foram tratados, como as Copas do Mundo de 1998, na França, e de 2006, na Alemanha. Na primeira, Ronaldo dissera que teve uma convulsão às vésperas da partida final, mas, como queria jogar, mostrou o resultado positivo dos exames para o técnico Zagallo, que permitiu seu ingresso ao jogo. Em 2006, Ronaldo declarou desconforto por não poder errar nos treinos, já que a seleção era a favorita e estava sob o olhar de todos.

O Fenômeno também falou sobre a relação com o presidente Lula. Baseado nas repostas, pode-se perceber que o relacionamento mudou para melhor, desde o último "encontro", em 2006, quando Lula disse a Parreira que Ronaldo estava gordo e recebeu a resposta de que era tanto mentira quanto o fato de o presidente "beber pra caramba".

Relacionamento, que melhorou com Lula, piorou com Ricardo Teixeira. De acordo com Ronaldo, após o fracasso na Alemanha, Teixeira, com quem tinha ótima relação, não conversou mais com ele. Na sabatina, ficou claro que o craque repudia o duplo caráter do presidente da CBF.

Encerrada a sabatina, Ronaldo tentou se esquivar da imprensa. Felipe Andreoli, do programa CQC, que tentou, sem sucesso, fazer uma pergunta no Teatro Folha, afirmou que havia conseguido falar com o craque prestes a ir embora. O Letras Escapadas não conseguiu entrevistar Ronaldo, porém encontrou Juca Kfouri, que não poupou elogios ao craque: "A entrevista foi brilhante. Não imaginava que ele tivesse tão maduro e tão seguro para enfrentar um plateia de 400 pessoas e quatro chatos querendo pegá-lo em falso. Foi muito bom".



Escrito por Paulo Pacheco às 14h30
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O dia-a-dia das crianças por "Pequeno Cidadão"

Por Luana Fagundes e Paulo Pacheco, 1o ano de Jornalismo

Pequeno Cidadão é o primeiro CD do projeto criado por Arnaldo Antunes, Edgard Scandurra, Taciana Barros e Antonio Pinto, em parceria com seus próprios filhos. As composições tratam de assuntos corriqueiros na vida das crianças e o arranjo musical une vários estilos, como o rock, o pop e a música eletrônica. É o que eles chamam de Música Psicodélica para Crianças (MPC).

 

A faixa-título do álbum mostra a importância do cumprimento dos deveres (escovar os dentes, fazer lição de casa, arrumar o quarto) para que a criança possa obter seus direitos (bagunçar, jogar videogame, comer chocolate).

 

O amor é tema de três canções. Em “O Sol e a Lua”, o amor não-correspondido é metaforizado por meio das imagens do Sol (homem imponente) e da Lua (moça encantadora). “Meu Anjinho” e “Bonequinha do Papai” tratam do amor dos pais para com o filho, mas sob dois enfoques: na primeira, o sono da filha embalado pela mãe; na segunda, o tradicional mimo familiar.

 

O cotidiano infantil, marcado por escolhas e momentos agradáveis, é retratado em “Tchau Chupeta” e “Leitinho Bom”. Os arranjos musicais diferem para representar esses altos e baixos. O dilema de largar ou não a chupeta, um modelo de infantilidade, recebe um ritmo de suspense. Outro símbolo da infância, a mamadeira, é musicado de maneira oposta, mais suave e divertida.

 

O futebol é tratado com irreverência em duas composições. “Carrinho por Trás” fala do “jogar bonito”, sem cometer faltas desleais. Já “Futezinho na Escola” é o momento em que as crianças fogem da realidade ao jogarem bola no recreio até o “apito do juiz”, o sinal para voltar à aula.

 

O arranjo também ajuda na imaginação das cenas. Enquanto em “Carrinho por Trás” há uma levada de samba de raiz, a bossa-nova de “Futezinho na Escola” colabora na construção da imagem de um sonho, ainda que passageiro.

 

A MPC aparece, sobretudo, em “O ‘x’”, “Bonequinha do Papai” e “Sobe Desce”. Além disso, a psicodelia é observada nas letras, aparentemente sem nexo. Em “Bonequinha do Papai”, os versos se repetem, causando a idéia do mimo incessante da família.

 

“O Uirapuru” e “Carrinho por Trás”, músicas voltadas para o samba, são cantadas por Edgard Scandurra, fato que surpreende, pois o guitarrista tornou-se conhecido por tocar na banda de rock Ira!. No entanto, o músico volta às origens com “Sapo Boi”, cujo arranjo lembra o rock dos anos 60. Arnaldo Antunes também segue a mesma linha com “Larga a Lagartixa”, retornando aos tempos em que era integrante dos Titãs em sua fase punk.

 

Pequeno Cidadão inova no campo dos projetos destinados a crianças, pois aborda, de maneira leve e simples, temas corriqueiros do universo infantil, sem precisar ensinar nos moldes da escola.



Escrito por Paulo Pacheco às 15h20
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"Pequeno Cidadão" encanta público mirim e adulto

Por Luana Fagundes e Paulo Pacheco, 1o ano de Jornalismo

O palco do SESC Pompeia recebeu no último final de semana (dias 9 e 10 de maio) o show de lançamento do CD Pequeno Cidadão, projeto idealizado por Arnaldo Antunes, Edgard Scandurra, Antonio Pinto e Taciana Barros.

O repertório, composto de 13 músicas, fez a alegria da criançada. Arnaldo Antunes descreveu como foi a recepção do público: “Estreamos o show nesse fim de semana e a receptividade foi muito quente, as crianças cantaram junto, dançaram e, no final, quando todas sobem ao palco, é uma delícia de fazer”.

O conjunto classifica as canções como MPC (Música Psicodélica para Crianças). “É uma música que transcende o ‘dorme nenê’, o ‘atirei o pau no gato’, a música infantil, então traz um pouco de rock, de pop, de guitarra distorcida, de pedais, de efeitos, música eletrônica, isso é psicodélico. Trabalhamos com elementos do pop para brincar com as crianças e, por isso, resolvemos apelidá-la de Música Psicodélica”, explica Scandurra.

O guitarrista esclarece se há um viés didático nas composições: “O que há de didático na música é o lazer, o prazer que dá dentro das pessoas. Quando as crianças estão dançando conosco, quando cantam os refrões, quando ouvirem o disco em casa e saírem cantando por aí, isso é a principal lição que a música dá para as pessoas, de lazer e aproveitar a vida”.

Os filhos dos músicos também participaram da apresentação. Na música “Meu Anjinho”, Taciana Barros cantou com sua filha, Luzia. “Eu cantei muitas vezes essa música para ela”, declarou a cantora durante o espetáculo.

O cenário era composto de balões ilustrados suspensos no teto e de um telão que mostrava curtos videoclipes animados relacionados a cada música. A iluminação também acompanhou o ritmo das músicas. Quando era a vez de uma das crianças cantar, a luz voltava-se para ela.

Scandurra falou sobre a participação das crianças no projeto: “Elas queriam participar, acompanharam as gravações, são filhas de músicos, ouvem música o dia inteiro. É uma continuação da vida delas dentro de casa. Tudo aconteceu naturalmente. Eu estava meio preocupado, mas deu certo”.

Algumas canções contaram com a encenação de personagens fantasiados de elementos das músicas. Em “Leitinho”, uma vaca adentrou o palco nos versos “ai ai, que leitinho bom”. O animal se desfigurou conforme o andamento da letra, enquanto que, em “O ‘X’”, bailarinos fizeram acrobacias. Em “Meu Anjinho”, uma bailarina fez uma apresentação paralela com um bambolê pendurado junto aos balões.

Muitas mães aproveitaram o dia em sua homenagem para acompanhar o espetáculo junto de seus filhos. Ao final do show, o grupo convidou-os a subir no palco e cantar a última música, um bis de Pequeno Cidadão. Arnaldo interagiu com o público, ameaçando ir embora e voltando ao microfone cada vez que ouvia o pedido dos espectadores.

Uma presença ilustre na plateia foi o pai de Antonio Pinto, Ziraldo. Famoso pelo seu personagem Menino Maluquinho, o cartunista revelou sua admiração pelo projeto: “Estou esperando esse CD para criança há mais de 70 anos. É evidente que Vinícius [de Morais], Toquinho, Chico [Buarque] e o João de Barro também prepararam músicas para criança com dignidade. Depois a qualidade caiu muito para poder virar algo consumista. Essa ideia de fazer um disco chamado Pequeno Cidadão, sem ser proselitismo, sem ser um disco careta, é sensacional, porque a matéria mais importante que a criança deve aprender na escola, depois de ler, escrever e cantar, é ser cidadã, ter a consciência dos seus direitos e dos seus deveres. Isto é o cerne da cidadania. De maneira não didática, não chata, não careta, eu acho que esse CD vai fazer um sucesso extraordinário, pois os músicos têm talento. O CD vai falar profundamente na alma da família brasileira”.



Escrito por Paulo Pacheco às 13h19
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Rua-lixão volta a ser rua

No dia 26 de abril, o Letras Escapadas noticiou a existência de um lixão a céu aberto em plena calçada, na Vila Brasilândia, zona norte de São Paulo. O excesso de detritos chegou a tomar metade da rua, dificultando a passagem de veículos e pedestres. Na última semana, foi flagrado um carro da prefeitura realizando a limpeza do local. A situação melhorou consideravelmente, como pode ser visto nas fotos.

Apesar da limpeza, a calçada continua a ser invadida por restos de entulho e pneus "carecas".

O Letras Escapadas flagrou o instante em que o lixo começou a pegar fogo. Alguém deve ter utilizado tal método rústico para livrar-se dos detritos.

O Letras Escpadas também registrou um homem com um carrinho de papelão jogando pneus na calçada.

Atitudes paliativas estão sendo tomadas. Contudo, ainda faltam medidas preventivas para impedir que os moradores continuem atirando lixo na calçada, atrapalhando o trânsito de pedestres e, se a rua for novamente tomada, de veículos.



Escrito por Paulo Pacheco às 17h28
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Professor Irineu Guerrini Jr. lança livro em São Paulo

Por Natália Alves e Paulo Pacheco, 1o ano de Jornalismo

Na última quarta-feira, 06 de maio, ocorreu na Livraria da Vila, em Pinheiros, o lançamento do livro "A música no cinema brasileiro: os inovadores anos sessenta", do professor de Rádio e TV da Faculdade Cásper Líbero Irineu Guerrini Jr. A publicação foi a tese de doutorado do autor pela ECA-USP. O evento contou com a presença de alguns professores da Instituição.

Guerrini esclarece a razão da escolha do tema: "Trata-se de um trabalho que abrange uma década inteira, aliás uma época muito produtiva culturalmente. Ouvi toda aquela explosão artística e cultural em primeira mão. Houve uma intensa renovação na música e no cinema até que, enfim, eles se juntaram". Ele ressaltou que, por ter vivido os anos sessenta e por sempre ter se interessado por música e cinema, estes temas lhe pareceram familiares.
 
O professor de Teoria da Comunicação, José Eugênio de Oliveira Menezes, deixou sua declaração sobre o autor e a obra: "O livro do Professor Irineu se torna referência, pois inaugura um campo de pesquisa até o momento inexplorado. Como sociólogo, comunicador e estudioso musical, Irineu se torna perfeitamente qualificado para falar do assunto".
 
A professora de História do Brasil Contemporâneo, Mônica Brincalepe Campo, demonstrou seu apreço pelo professor: "Irineu foi minha segunda formação, porque tudo que assisti na TV Cultura foi ele quem trouxe".



Escrito por Paulo Pacheco às 13h54
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